O quê você precisa saber sobre Santa Rosa e a origem da vida na terra?
Há 260 milhões de anos, Santa Rosa era um mar, o Mar de Irati. Mais precisamente, aqui havia uma praia calma de aguas límpidas.
Em meio ao cerrado paulista, na área rural de Santa Rosa de Viterbo, encontra-se uma formação geológica rara no planeta.Há 260 milhões de anos, Santa Rosa era um mar, o Mar de Irati. Mais precisamente, aqui havia uma praia calma de aguas límpidas.
São os estromatólitos. Nome complicado, mas simples na revelação de sua importância.
Estes caras complicados têm os elementos que deram origem à vida na Terra, há 3,8-3,5 bilhões de anos. Ufa!!! Faz tempo, né?
Elas se chamam cianobactérias. Outro nome complicado, mas simples também: elas produziam, em sua atividade, o oxigênio fundamental para nossa existência. Sem elas, nada de seres humanos, mamíferos, pássaros, dinossauros e outros bichos.
Investiga-se, a NASA principalmente, se estas cianobactérias teriam chegado à Terra em meteoritos.
Estas formações únicas no planeta ganham ainda maior expressão e importância pelo fato de que nelas ocorrem, em associação aos estromatólitos gigantes, os mais antigos répteis aquáticos da Terra, os mesossauros. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mesosaurus
https://globoplay.globo.com/v/5800214/ USP aponta que Santa Rosa de Viterbo, SP, era coberta por mar há 260 milhões de anos Extração em uma mina de calcário revelou a existência de diversas rochas fósseis gigantes na região.




Em meio ao cerrado paulista, na área rural de Santa Rosa de Viterbo, encontra-se uma formação geológica rara no planeta. São os estromatólitos. Nome complicado, mas simples na revelação de sua importância.
Os estromatólitos de Santa Rosa de Viterbo têm os elementos que deram origem à vida na Terra, há 3,8-3,5 bilhões de anos. A atividade das cianobactérias que formaram esta geologia foi fundamental para oxigenar a atmosfera primitiva de nosso planeta. Sem o oxigênio nós não estaríamos aqui.
Investiga-se atualmente como as cianobactérias teriam chegado à Terra. A NASA compara estes materiais com os que foram coletados em Marte para sustentar, ou não, a tese de que as cianobactérias teriam chegado à Terra em meteoritos. Esta é a tese astrobiológica.
Tais estruturas geológicas fusiformes, absolutamente incomuns pela sua dimensão, derivam de atividades microbianas/bacterianas. Ali, onde hoje há uma mineração de calcário, havia um vasto mar que cobria a Bacia Sedimentar do Paraná há 280 milhões de anos. Formam um extraordinário ‘campo’ de corpos paralelos, cobrindo uma área de 4 km².
Olhadas de cima assemelham-se a um sem-número de baleias encalhadas numa praia. Quando cortados no sentido perpendicular ao seu eixo principal, os estromatólitos formam abóbadas que podem superar 3 metros de altura. Já os corpos longitudinais podem atingir mais de 7 m de comprimento.
Raridades como a de Santa Rosa de Viterbo são poucas. Tal o caso dos estromatólitos gigantes do Parque Nacional Capitol Reef em Utah (200 milhões de anos atrás), e dos encontrados na Formação Green River, no Colorado (50 milhões de anos atrás). Todas significativamente mais jovens.
Os depósitos de Santa Rosa de Viterbo ganham ainda maior expressão e importância pelo fato de que neles ocorrem, em associação aos estromatólitos gigantes, os mais antigos répteis aquáticos da Terra, os mesossauros. Tais fósseis, também presentes em territórios africanos, constituem uma das evidências-chave a sustentar a ideia de que a América do Sul e a África compuseram um único megacontinente antes de sua separação pelo movimento das Placas Tectônicas.
Áreas assim atraem a atenção das pessoas. Cientistas, professores, estudantes, profissionais da indústria e leigos, podem ter diante dos olhos o cenário primitivo da vida em nosso planeta. Pontos da Terra como o de Santa Rosa de Viterbo são tratados como áreas ‘sagradas’, e não raro passam a constituir reservas, parques ou alguma outra entidade de preservação.
A Prefeitura de Santa Rosa de Viterbo está trabalhando para buscar recursos federais e estaduais, além do investimento da iniciativa privada, que permitam construir um parque geológico como descrito e sugerido pelo Prof. Dimas e sua equipe. Acompanhe:
“É plenamente justificável e indispensável a criação de um Parque Geológico em Santa Rosa de Viterbo. Tal entidade deverá ser dotada de uma infra-estrutura que envolva não só um fragmento representativo do mencionado registro geológico (~ 80x50m), devidamente preparado para ser preservado contra as intempéries, mas também de um edifício com uma rede de salas temáticas, museu, mini-auditórios, laboratórios didáticos e cantina (~ 300/400m de área útil), aliados a uma adequada jardinagem no local. A questão crucial, que deverá receber uma particular atenção, porque é o coração do projeto, é o fragmento geológico. Deverá ter uma cobertura de alta qualidade e um sistema de bombeio de águas pluviais e do lençol freático para que permaneça sempre seco.
A iniciativa terá alcance regional e mesmo nacional, atraindo um público diversificado, envolvendo os ramos científicos/educacionais (da educação fundamental ao ensino superior - alunos e professores), da indústria do petróleo, da Cultura e do Turismo. O parque passará a ser um ponto de referência internacional para os geocientistas e biocientistas envolvidos com a temática.
O Parque Geológico de Santa Rosa de Viterbo integrar-se-á a outros já estabelecidos no estado de São Paulo e no Brasil. Fará parte de uma rede alimentadora da divulgação da ciência para nosso povo - de crianças a pessoal de terceira idade - em questões de suma importância para a compreensão de nossas raízes e em relação ao conhecimento geológico. O Parque, uma vez instalado, poderá, como um núcleo de Ciências Naturais, abordar e discutir temas científicos cruciais da atualidade, na forma de conferências, eventos, palestras e cursos. Por outro lado, certamente atrairá turistas como verificado em todas as áreas do mundo (geoturismo) onde estruturas, adequadamente montadas e bem mantidas, são estabelecidas em torno de elementos naturais particularmente relevantes.”
Prof. Dimas Dias Brito
IGCE / UNESPetro – Centro de Ciências Naturais Aplicadas
Rio Claro, 26 de julho de 2023
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E CIÊNCIAS EXATAS UNESPETRO
(fonte: Wikipédia)






